Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Esse post poderia se chamar também:
"O Economista que virou Filósofo e o Filósofo que ficou Econômico".
...continua amanhã...
Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
Pois bem, o amanhã acabou demorando muito mais do que eu gostaria ou imaginava... e a razão é muito simples e muito complexa: com medo de ser injusto ou exagerado com qualquer um dos autores, que logo citarei, preferi reler os livros e fazer um comentário movido muito mais pela racionalidade do que pela emoção.
O Economista que virou filósofo é o Eduardo Giannetti, e a obra a que me refiro é o seu novo livro "O Valor do Amanhã". Um livro muito bem escrito, fruto de pesquisas acadêmicas mas escrito de forma a ser compreendida por um não-acadêmico, não-filósofo ou não-economista. A leitura de seu livro teve repercusões profundas em mim. Sua argumentação de que os juros financeiros são apenas um caso particular de aplicação em finanças de um conceito que a própria natureza se vale a todo instante é provada com inúmeros e muito bem escolhidos exemplos.
Já na contra-capa podemos ler:
"Desfrutar o momento ou cuidar do amanha? [...]
O cérebro humano é formado por circuitos modulares que não estão perfeitamente integrados. A Perspectiva concreta de gratificação imediata de certos desejos ativa uma certa região do cérebro - o sistema límbico - que demanda pronta satisfação sem se importar com o amanhã. Mas a impaciência de curto prazo não é tudo. O primata impulsivo que nos agita em segredo tem um adversário à altura: o córtex pré-frontal, que pondera os prós e os contras de diferentes escolhas e não se deixa levar com facilidade pela sedução do momento. Se a atração pelo prazer do momento [...] ata-nos ao presente, o cuidado com o amanha imaginado [...] elevam-nos ao futuro.
No sempre renovado embate entre a impulsividade da cigarra límbica e o calculismo prudente da formiga pré-frontal, o resultado não está dado de antemão."
Tomo a liberdade de copiar um texto usados na promoção do livro:
Os juros fazem parte da vida de todos os homens - aparecem tanto nas discussões sobre o crescimento econômico da nação como em aspectos miúdos do dia-a-dia. O princípio econômico é simples: o devedor antecipa um benefício para desfrute imediato e se compromete a pagar por isso mais tarde, e quem empresta cede algo de que dispõe agora e espera receber um montante superior no final da transação. Em "O Valor do Amanhã", Eduardo Giannetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão comum quanto a força da gravidade e a fotossíntese. Enxergar o fenômeno unicamente do ponto de vista comercial obscureceria sua enorme variedade e abrangência.
A questão dos juros "não se restringe ao mundo das finanças, [atinge] as mais diversas e surpreendentes esferas da vida prática, social e espiritual, a começar pelo processo de envelhecimento a que nossos corpos estão inescapavelmente sujeitos", diz Giannetti. Desde o momento em que aprendeu a planejar sua vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando esta prática.
O Eduardo começa mostrando as forças que atuam na escolha intertemporal (e suas conseqüências) desde uma célula até as nações.
Certamente foi um dos melhores (senão o melhor) livro que li em 2005.
Já o Filósofo que virou econômico é o Mario Sergio Cortella com seu livro:
"Não espere pelo epitáfio... provocações filosóficas".
Tendo acompanhado pela TV algumas palestras do Mario (acho que no Café Filosófico que passa na TV Cultura), fiquei entusiasmado quando encontrei um livro seu "dando sopa" na Livraria Nobel. Mas confesso, fiquei decepcionado... esperava mais de um livro vindo de um homem com a erudição e habilidade com a palavra do Mario... cada capítulo apresenta um tema (ou provocação) mas de um jeito que não é muito distinguível ao de uns blogs que exitem por aí (como esse, aliás :-), sem a profundidade que esperava, e confesso que pelo menos no meu caso, não fiquei filosóficamente provocado.
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
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2 comentários:
MEUS DEUS! O AMANHÃ NUNCA CHEGA! Já vejo os prédios ruindo! É O FIM!
Ufa, tantas tarefas nesse fim de ano, mas acho que consegui escrever o que queria.
Desculpe a demora.
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